Problemas de audição e respiração

Postado em 02/09/2017

Problemas de audição e respiração

A criança nasce e já é capaz de escutar. Mas há casos de perda auditiva desde o nascimento ou provocada por infecção nos primeiros meses de vida. Sem ouvir direito, a criança tem o desenvolvimento da linguagem comprometido, assim como o contato com o que lhe rodeia. "A audição é fundamental", salienta Renata Di Francesco, otorrinolaringologista infantil do Hospital das Clínicas, em São Paulo. "É ela que permite à criança se localizar no meio ambiente, interagir com as pessoas e aprender a falar."

Há ainda a criança que ronca, respira pela boca ou tem parada respiratória enquanto dorme (apneia do sono). Resultado? "Por dormir mal, essa criança vai ser muita agitada e ter dificuldade de se concentrar, afetando o rendimento escolar", alerta Renata.

Para reconhecer os sinais de problemas com a audição e a respiração de seu filho, atenção às dicas dos especialistas:

1- Fique atento aos pequenos sinais

A família não percebe de imediato que a criança sofre de problemas respiratórios e de audição. No caso da deficiência auditiva, a intensidade do distúrbio pode ser apenas leve, o que oculta ainda mais o problema. "Por serem de difícil identificação, esses distúrbios acabam sendo subvalorizados, o que deve ser combatido", afirma Renata Di Francesco.

Quanto ao ronco, há mesmo quem entenda que ele seja normal e faça parte do sono. "Se o pai roncar, isso não é explicação para o ronco do seu filho... Ronco não é nada? Mentira!", comenta a otorrinolaringologista.

2- Desconfie da dificuldade em excesso para falar

 Se a criança se atrasar no aprendizado da fala, pode ser indício de que ela sofre de um problema de audição. A regra estabelece que uma criança começa a formar frases a partir de dois anos. E que é capaz, entre dois e três anos, de "cantar a música que aprendeu na escola, assim como trocar alguns fonemas quando conversa, o que é perfeitamente normal...", exemplifica a otorrinolaringologista Renata Di Francesco.

Entre três e quatro anos, porém, essa criança já tem a sua fala desenvolvida. "Por isso, se a troca de fonemas continuar depois dessa idade, os pais devem pedir ajuda a um especialista - fala atrasada não é bonitinho não, atenção!", atenta.

 

 

3- Detecte o problema o quanto antes

Crianças de seis a sete anos com problemas de audição apresentam alterações na fala, na escrita e na compreensão. Em um ditado, essa criança entende "vaca" em lugar de "faca", por exemplo.

É uma criança que não responde ao chamado do colega de classe e fica dispersa durante a aula, sem prestar atenção no que diz o professor. "Em casa, ela gosta de se sentar perto do aparelho de TV e de aumentar o volume da música que põe para tocar", destaca Renata. Seja qual for o caso, no entanto, a deficiência de audição pode ser reabilitada. "Quanto mais cedo for detectado o problema melhor", lembra a especialista.

4- Preste atenção no sono de seu filho

A criança respira pela boca durante o sono? Chega a roncar? São sinais de que ela dorme mal. Esses distúrbios respiratórios ficam evidentes entre três e seis anos e exigem a avaliação de um otorrinolaringologista.

São crianças que podem sofrer de apneia de sono, quando ocorrem paradas respiratórias ao dormir, de sérias consequências sobre a saúde. "São crianças que vão desenvolver problemas emocionais e comportamentais. Elas se irritam facilmente e terão dificuldade de acompanhar o dia a dia da escola", aponta Renata Di Francesco. "O importante é descobrir as causas do problema para dar início o quanto antes ao tratamento adequado", completa.

5- Descubra se seu bebê ouve bem

Mais de 90% dos episódios de surdez na infância são consequência de uma lesão na cóclea, estrutura que transforma o som em impulso elétrico. "Aí, além do tratamento com o fonoaudiólogo, são indicados aparelhos auditivos ou o implante coclear", diz Sirley Carvalho, professora de fonoaudiologia da Universidade Federal de Minas Gerais. "Dessa forma, as vias auditivas da criança são estimuladas a se desenvolver e ela terá um aprendizado praticamente normal", explica.

Um grande avanço é a triagem auditiva neonatal, programa de avaliação que possibilita flagrar a deficiência no recém-nascido. O método foi instituído em todo o país por uma lei federal sancionada pelo ex-presidente Lula. Ele fará a diferença porque, no primeiro ano de vida, a observação do pediatra e dos pais é insuficiente. E, quanto mais tempo a criança ficar sem ouvir, mais complicado será o tratamento.

Realizado no recém-nascido, ainda no berçário, o exame conhecido como Teste da Orelihinha (Emissões Otoacústicas Evocadas, EOAs) é simples, rápido e não requer anestesia nem exige que o bebê esteja dormindo. Em menos de cinco minutos, o médico examina os dois ouvidos da criança com um aparelho que emite sons puros. As ondas viajam até a cóclea, estrutura no ouvido interno, e retornam, fornecendo um gráfico da audição.

Além desse exame, há outro mais completo, conhecido pela sigla Peate, capaz de escanear todos os segmentos do trajeto da audição - só que a criança precisa tomar um sonífero antes de se submeter a essa avaliação mais minuciosa.

6- Conheça os tipos de surdez

- Congênita genética: um defeito nos genes faz com que a criança nasça com um problema auditivo.

- Congênita adquirida: a mãe tem infecções como rubéola ou toxoplasmose durante a gravidez, que repercutem no desenvolvimento do aparelho auditivo do feto.

- Perinatal: um problema durante o parto causa a perda auditiva.

- De transmissão: uma otite, a inflamação do ouvido, ou corpos estranhos provocam uma surdez temporária e reversível.

- Pré-lingual: a deficiência aparece quando a criança ainda não sabe falar ou ler.

- Perilingual: o problema se manifesta após o pequeno aprender a falar, mas antes de começar a ler.

- Pós-lingual: a surdez dá as caras depois que se aprende a falar e a ler.

7- Confira as etapas de maturação do sistema auditivo infantil

Veja o que acontece ao longo da maturação do sistema auditivo da criança:

- De 0 a 3 meses

O bebê se assusta, chora ou acorda com barulhos intensos e acalma-se diante dos sons mais brandos e das vozes familiares.

- De 3 a 6 meses

Mexe a cabeça para a direita e para a esquerda à procura de sons, faz contato visual, emite ruídos sem significado e reconhece o próprio nome.

- 9 meses

O pequeno localiza os sons de acordo com a sua origem - procura embaixo, pelos lados e começa a olhar também para cima. Além disso, entende palavras simples e aumenta o balbucio.

- 1 ano

A criança entende algumas ordens, como dar tchau e mandar beijos, e reconhece rapidamente de onde vêm os sons. Também pronuncia as primeiras palavras.

- 2 anos

Localiza os sons provenientes de todas as direções de forma rápida, compreende bem a linguagem, combina as palavras e usa a fala para se comunicar.

 

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